domingo, 2 de dezembro de 2012

O dia depois de amanhã

E quinta, amanheci o dia no aeroporto Val-de-Cans em Belém do Pará.
Foi a manhã de espera da companheira de viagem Aletéia Lopes, Instituto Empresariar; para promovermos mais uma oficina do Modelo de Governança Makro na nossa unidade em Parauapebas/PA.
Depois do almoço, fomos aguardar na sala de embarque a conexão para Carajás com escala em Marabá, e em frente ao portão, paredes de vidro, a chuva forte começou a nos surpreender. E o céu cinza, carregado de nuvens, de um lado a outro na pista, não combinava em nada com os 50 tons de cinza que a Aletéia lia com tanta dedicação.
Como não tenho quase medo de avião, resolvi relaxar e encarar a aventura. O jato da Trip decolou e logo a turbulência começou fortemente... Postei antes no facebook que seriam "momentos de tensão", mas até aquele momento, não conhecia o real significado dessa expressão...
Foi uma das poucas vezes na vida que tive sensação de morte - aquela hora quando o filme da vida passa diante dos nossos olhos, sabe?! Virei pra Aletéia e o pânico também em seus olhos. Apertamos nossas mãos e pensamos nos nossos filhos, eu vi o momento que o Ben nasceu, tão indefeso, tão doce e comecei a rir do desespero. Pensei em Deus, pedi perdão; pensei no Ítalo, na minha mãe querida babá, na minha irmã e na cunha, na Makro. E aqueles dez, quinze minutos subindo e descendo, virando, vendo a chuva forte na janela e o cinza do céu e mais nada, pareciam que nunca mais iam terminar. Até que acabou e seguimos para Marabá...
O piloto nos avisou que não seguiríamos para Parauapebas por causa do mal tempo e, já em terra, soubemos que teríamos um micro-ônibus disponível - mas, veja, uma estrada péssima, sob chuva forte, num ônibus velho, cheio, três horas de viagem, quase à noite, com a notícia de já dois acidentes ao longo do trajeto: de novo, medo.
Começamos a procurar referências. Ligamos pro gestor da unidade Heldes; superintendente Dudma (que estava na unidade), diretor Fernando Filho. Nada. Ninguém nos atendeu.
Ligamos pra Fran, secretária na matriz, e frase da Ciciliane, "ninguém entra e ninguém sai de Parauapebas, tudo alagado, um caos". Bastou para desistirmos.
O chefe da Aletéia, nosso querido Edilson Botto, comentou para ela: "sua vida é muito preciosa para ser arriscada assim, volta pra casa!"... Meu coração ficou apertado e de novo o pensamento no Ben, como poderia perdê-lo, desampará-lo?
Mudamos nossa passagem da Trip de volta, de sábado para sexta e conversamos com a Fran para fazer o mesmo com a da Gol, que nos levaria de volta a nossa amada Fortaleza. E decidimos pernoitar em Marabá.
Já com a calma instalada, encontramos o Dudma no aeroporto de Marabá, com vôo marcado para 11 da noite e começamos a ligar para todos da base, afim de desmarcar nosso treinamento, nossa oficina; tão planejada, tão preparada, tão esperada; e fomos jantar, decepcionadas.
O dia depois de amanhã se mostrou num retorno tranquilo, apesar de longo, e de guardar no seu final uma grande surpresa, pegadinha de nossa parceira Fran, da matriz - que marcou a passagem da Aletéia pra dezembro... Já pensou, um mês ainda no aeroporto??? kkkkkkkkkkk
Mais uma vez, Edilson Botto nos salvou de boa vontade e voltamos dormindo para nosso amado Ceará. Um pouco triste de não ter cumprido a missão, mas aliviada de dormir com o Ben mais uma vez, de vê-lo correndo de manhã, dando tchau, soltando beijo, comendo, brincando...



domingo, 4 de novembro de 2012

Volta do Feriadão

Depois de uma sexta-feira feriado, a pergunta que não quer calar é: "E aí, como foi, descansou?!"
Como assim?
Não é na semana que a gente descansa, dorme cedo, varre o chão, faz supermercado? E ainda trabalha?


Feriado tem gosto de praia, de almoçar duas da tarde num restaurantezinho simpático.
Feriado é pra andar a cavalo no sítio do Tio Paulo e quando chegar em casa, dormir de tão cansada!
Feriado é pra abraçar o Ben até não poder mais, sair com ele pra comprar esfirra (agora!), almoçar na casa do vovô e da vovó, deixar a titia dar bem muito beijo nele, correr pra evitar um caldo na praia, em vão!!! Agora tô rindo, mas na hora foi a treva!!!
Feriado a gente toma banho quando tá calor, 1000 vezes nesse findi... e passa merthiolate no arranhado do joelho, de quando jogou bola na garagem.
Feriado não é pra descansar, talvez a mente, um pouco o corpo, nunca o espírito. Feriado é pra movimentar!
E assim termina o meu, lendo os e-mails, fazendo uma planilhazinha pra não perder o hábito, organizando o trabalho que retorna amanhã.
Em paz!
E para os finados, razão do feriado sexta, descansem em paz!

terça-feira, 10 de julho de 2012

Aba Pai

Hoje faz 19 anos que o papai me deixou..
Fugiu... saíu correndo sem se despedir.
E passei o dia sem saber o que fazer, o que falar, como agir.

E como no primeiro ano chorei até soluçar e quis partir, quis ficar, quis que este dia nunca tivesse existido, nem em 93, nem hoje.

Quero transformar essa saudade em algo assimilado, político, contido. Mas não.. dor dilacerante.

Ben,
O vovô se foi, acabou-se - um dia ficará claro, mas parte do que sou é ele. Parte de quem sinto, é dele.
E você seria o meu melhor presente... porque você é a minha melhor versão e não passo de uma versão dele.

sábado, 7 de julho de 2012

Jerry Maguire

Esses é um momento do tipo Jerry Maguire...
Estou num quarto de ontem no Pará a trabalho pela Makro Engenharia e não consigo dormir... ah.. como a vida é... difícil de acreditar que tudo muda em tão pouco tempo.
Como o famoso personagem, acho mesmo que é possível sermos mais felizes com menos, numa realidade que a princípio nos parece a distante da ideal, mas quando vemos, ela está lá, pronta para ser vivida em toda a sua plenitude, maravilhosamente vida!
É assim que acontece por aqui. Não que as pessoas sejam medíocres, acostumadas com menos - mas aproveitam tudo que tem para alcançarem o melhor de todas as oportunidades. Entendem?
É como a frase dita tantas vezes pelo Dr. Fernando - ENTENDER PARA ATENDER - slogan de uma empresa fornecedora da Vale; queremos sempre ser servidos e ter todas as respostas, quando na verdade temos perguntas para responder e conhecimento para obtermos primeiro o que para nós mesmos é difícil e depois para todos ao nosso redor - reconhecer os outros!

O que mais se vê aqui é dinheiro. Nas ruas limpas, padronizadas, organizadas. Vê-se dinheiro no minério de ferro, nas minas, no transporte de caminhões e equipamentos de um lado para o outro. As pessoas não tem pressa, tem gana. Na pequena cidade que agrega esse dinheiro, vê-se comércio, barulho, trânsito como se estivessemos na Índia e muitas pessoas de macaão, servindo aos donos do poder e do dito dinheiro.
Os taxistas comentam que a cidade se formou assim, para atender, para entender para atender.
Não sei se cumpre o seu papel, mas vamos lá...
A lição que aprendi nesses dias é que a vida é feita mesmo do que somos, não do que temos. As pessoas ao nosso redor são nosso maior tesouro e vale a pena investir tempo e esforço para que façamos diferença nelas e em nós. Viver por viver, correndo atrás do vento ou do metal apenas, não nos dignifica. Que venha o vento e o metal, mas que venha amor do próximo, amor de Deus, paz da natureza, sabedoria nas escolhas, tempo para fazer nada, fome, poeria, dificuldades (sem elas, quem seríamos mesmo?)... E que minha mente esteja sempre aberta, como uma estrada pela floresta, para ENTENDER, para ATENDER, para SER, acima de tudo! 

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Dia das Mães

Hoje é a sexta que antecede o domingo de Dia das Mães.
No trabalho recebemos uma homenagem, com música, palavra da diretoria e orações. Recebemos também um presente personalizado, e votos de felicidades, de feliz dia.
Foi a terceira vez que vivi esse momento numa empresa - mas, agora a emoção foi muito maior.
Não sei se é porque o Benjamin tá grandinho, tá lindo de viver, tá me chamando de "mamãe" - que começo a sentir uma transformação de sentimentos.
Desde que engravidei, acompanho em mim uma série de transformações - físicas, intelectuais e principalmente emocionais. Não que esteja mais sensível, estou mais humana, mais apaixonada e vivendo os dias com mais amor.
Antigamente via essas datas com algum desprezo, achando tudo muito comercial. Mas hoje, durante a homenagem que vi, meu coração amoleceu mais uma vez...
Estou feliz por ser mãe, por amar tanto meu filhinho e por Deus ter me concedido tamanho presente.
É só você, Benjamin!

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Homens da minha vida

Sempre a gente escuta falar sobre grandes mulheres que figuram atrás de grandes homens. Escuta falar de mulheres empreendedoras, excelentes profissionais em profissões notadamente masculinas, mulheres boas donas de casa, mães maravilhosas, amigas, filhas, irmãs, primas, cunhadas... As mulheres me parecem um grande monopólio com todas as virtudes e perfeições que podem existir no ser humano.
Os homens desempenham um bom papel como grandes homens – por mais que “precisem” de uma mulher atrás – não deixam de ser grandes homens desempenhando um bom papel.
As profissões notadamente masculinas são as que eles se dão melhor, que tem maior competência e desempenho porque simplesmente são muito bons no que fazem – isso é muito!
Como mulher é fácil me achar a melhor, a mais dedicada, a mãe, a profissional que tem três turnos em casa... Mas, não posso deixar de premiar e elogiar os homens da minha vida que desempenham muito bem o seu papel!
O Ítalo. Estamos casados há quase seis anos. Ontem mesmo ele fez faxina na casa enquanto eu brincava com o Benjamin, nosso filho de um ano e três meses. Fez o próprio jantar, me deixando dormir cedo por causa da bendita sinusite e dor de cabeça que estava sentido.
Ele também trabalha o dia todo, como eu. Ele paga contas no banco, faz supermercado, leva o Ben pro médico ou pra vacinar. Ele compra janta quando estou cheia da cozinha, busca comida quando não vem entregar, vai ao barbeiro cortar o cabelo.
Ele visita minha família, apóia meus tios e primos, brinca com meus primos pequenos, brinca com meu filho. Ele me mostra um programa novo na TV ou na internet, salva nossas fotos, corre atrás do Ben para tirar boas fotos. Ele fecha a casa quase toda noite, dá o leite de manhã para o Ben, dá banho nele sempre que está em casa, e penteia o cabelo dele, troca fralda algumas vezes, passa o perfume, bota o Benjamin de castigo na cadeirinha quando precisa, e vai abraçá-lo quando o tempo de ficar lá acaba.
Este homem é muito pra mim. Ele, como homem, é melhor do que muitas mulheres.
Nem sempre eu ou a sociedade damos o devido valor que ele tem. Por que se a mulher é bonita, é mãe, é profissional, é família; o homem também o é.
Agradeço sempre a Deus o marido bom que tenho, o filho maravilhoso; a benção que é conviver com os dois. Apesar de não ter um dia internacional para eles, que hoje seja dia de comemorar a vida e essa parceria. Que seja longa e próspera!