E quinta, amanheci o dia no aeroporto Val-de-Cans em Belém do Pará.
Foi a manhã de espera da companheira de viagem Aletéia Lopes, Instituto Empresariar; para promovermos mais uma oficina do Modelo de Governança Makro na nossa unidade em Parauapebas/PA.
Depois do almoço, fomos aguardar na sala de embarque a conexão para Carajás com escala em Marabá, e em frente ao portão, paredes de vidro, a chuva forte começou a nos surpreender. E o céu cinza, carregado de nuvens, de um lado a outro na pista, não combinava em nada com os 50 tons de cinza que a Aletéia lia com tanta dedicação.
Como não tenho quase medo de avião, resolvi relaxar e encarar a aventura. O jato da Trip decolou e logo a turbulência começou fortemente... Postei antes no facebook que seriam "momentos de tensão", mas até aquele momento, não conhecia o real significado dessa expressão...
Foi uma das poucas vezes na vida que tive sensação de morte - aquela hora quando o filme da vida passa diante dos nossos olhos, sabe?! Virei pra Aletéia e o pânico também em seus olhos. Apertamos nossas mãos e pensamos nos nossos filhos, eu vi o momento que o Ben nasceu, tão indefeso, tão doce e comecei a rir do desespero. Pensei em Deus, pedi perdão; pensei no Ítalo, na minha mãe querida babá, na minha irmã e na cunha, na Makro. E aqueles dez, quinze minutos subindo e descendo, virando, vendo a chuva forte na janela e o cinza do céu e mais nada, pareciam que nunca mais iam terminar. Até que acabou e seguimos para Marabá...
O piloto nos avisou que não seguiríamos para Parauapebas por causa do mal tempo e, já em terra, soubemos que teríamos um micro-ônibus disponível - mas, veja, uma estrada péssima, sob chuva forte, num ônibus velho, cheio, três horas de viagem, quase à noite, com a notícia de já dois acidentes ao longo do trajeto: de novo, medo.
Começamos a procurar referências. Ligamos pro gestor da unidade Heldes; superintendente Dudma (que estava na unidade), diretor Fernando Filho. Nada. Ninguém nos atendeu.
Ligamos pra Fran, secretária na matriz, e frase da Ciciliane, "ninguém entra e ninguém sai de Parauapebas, tudo alagado, um caos". Bastou para desistirmos.
O chefe da Aletéia, nosso querido Edilson Botto, comentou para ela: "sua vida é muito preciosa para ser arriscada assim, volta pra casa!"... Meu coração ficou apertado e de novo o pensamento no Ben, como poderia perdê-lo, desampará-lo?
Mudamos nossa passagem da Trip de volta, de sábado para sexta e conversamos com a Fran para fazer o mesmo com a da Gol, que nos levaria de volta a nossa amada Fortaleza. E decidimos pernoitar em Marabá.
Já com a calma instalada, encontramos o Dudma no aeroporto de Marabá, com vôo marcado para 11 da noite e começamos a ligar para todos da base, afim de desmarcar nosso treinamento, nossa oficina; tão planejada, tão preparada, tão esperada; e fomos jantar, decepcionadas.
O dia depois de amanhã se mostrou num retorno tranquilo, apesar de longo, e de guardar no seu final uma grande surpresa, pegadinha de nossa parceira Fran, da matriz - que marcou a passagem da Aletéia pra dezembro... Já pensou, um mês ainda no aeroporto??? kkkkkkkkkkk
Mais uma vez, Edilson Botto nos salvou de boa vontade e voltamos dormindo para nosso amado Ceará. Um pouco triste de não ter cumprido a missão, mas aliviada de dormir com o Ben mais uma vez, de vê-lo correndo de manhã, dando tchau, soltando beijo, comendo, brincando...
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